domingo, 4 de setembro de 2011

Oficina - Triangulação com Máscaras

 No dia 17/08 (quarta-feira) tivemos uma oficina com a professora Tania Alonso com o tema "Triangulação com Máscaras". A idéia era haver uma troca de experiências entre professora-alunos.
 Começamos a oficina fazendo uma brincadeira em roda, chamada "Batizado Mineiro", que consta no livro "Jogos Teatrais para atores e não atores - Augusto Boal". Uma brincadeira onde cada um integrante da oficina teria que ir ao centro da roda, fazendo um movimento e falando uma palavra que seja com a letra inicial do seu nome. Feito isso, todos os outros integrantes imitavam o que tinha sido feito pelo o integrante anterior.
 Após esse exercício para o conhecimento de todos da turma, começamos a triangulação com as máscaras. Aprendemos várias coisas a respeito delas. Mas infelizmente, apenas 3 horas de oficina servem apenas para dar um gostinho na boca de quero mais.
 Vimos que sempre que precisarmos arrumar ou tirar a máscara, temos que estar sempre de costas para o público, pois se fizermos isso de frente para eles, acaba ali mesmo a ilusão de um personagem, acaba portanto com a neutralidade proposta pelas máscaras. Começamos enfim a trabalhar ativamente com elas (as mascaras), fazendo o jogo da triangulação, onde duas pessoas pegavam as máscaras e triangulavam entre si, sempre percebendo que uma pessoa teria que estar olhando para frente, e a outra olhando sempre para o seu companheiro; e somente trocavam de posições, quando havia a troca de olhares entre os atores, sempre tendo o nariz como o ponto de direção da ação, percebendo que, se quisessemos olhar para uma direção, teríamos que fazer movimentos rápidos e objetivos sempre tendo o nariz como base, pois nesse caso da máscara neutra, os olhos pouco dizem, ao contrário de outros tipos de máscaras. E as duplas faziam esse jogo durante um bom tempo, aumentando gradativamente a intensidade da ação, e por várias vezes, até criando cenas que fluiam sem uma preocupação comum, ocorrendo nesse caso, até uma mudança de expressão de acordo com a intensidade da cena. O que de fato acabou acarretando em exagero de outras duplas, que já entravam com o intuito de fazer algo, como forma de "aparecer" ou até mesmo "impressionar" os demais colegas. Tentativas essas, que foram por água abaixo, pois percebia-se visivelmente que os mesmos forçaram uma barra para tal fato acontecer, não o deixando fluir livremente.
 Temos que ter em mente sempre, que o público vai na direção para onde a máscara está apontando; portanto, se os dois atores estiverem olhando para a mesma direção, ocorrerá um conflito de informações, não sabendo assim, para onde se deve olhar. Devemos evitar de fazer movimentos redondos (como por exemplo, a expressão de cansaço, bêbado), procuramente sempre fazer os movimentos pequenos (tic-tac), sendo o mais objetivo possível, e sempre levando junto com a máscara, o corpo, o que ajuda muito a ter uma expressividade maior.
 Outra coisa que podemos perceber, é que, com a máscara, deixamos os nossos tiques mais visíveis para o público, devendo ter uma atenção redobrada quanto a esse fator. Não podemos conversar quando estamos com a máscara, e deve-se evitar também ficar de costas, pois o público acaba não vendo o que ela está querendo dizer. Devemos sempre ter cuidado também, em relação a querer arrumar o cabelo quando estivermos em cena. Se acaso ocorra essa situação, procurar fazer quando o foco estiver na outra pessoa.
 Mas um exercício onde, podemos perceber a importância da triangulação entre os atores, seja em qual estilo de teatro for, sempre um respeitando o momento do outro, e um sempre ajudando o outro também. Após, fizemos outro exercício, onde uma pessoa ia para o centro do espaço, e rolava um jogo de perguntas e respostas, onde quem estava falando no momento sempre teria que olhar para o público, e já a outra pessoa, deveria olhar para o ator que estivesse dando a sua fala. A brincadeira era a seguinte:
 "ator 1 - O que você sabe fazer? (Olha para o outro ator)
  ator 2 - Eu sei fazer isso (faz alguma coisa)
  ator 1 - Legal
  ator 2 - E você, o que sabe fazer?
  ator 1 - Eu sei fazer isso (faz alguma coisa)
  ator 2 - Legal"
 E por último, fizemos a brincadeira do "O fulano roubou pão na casa do João...quem eu? ....", e sempre fazendo o jogo da triangulação, quando um falava olhando para a platéia, o outro estava olhando para o ator que estava falando, havendo assim, sempre a troca a partir do olhar entre eles.
 E é isso. Uma oficina maravilhosa, onde aprendemos a importância de trabalharmos juntos com os nossos colegas de cena, havendo essa triangulação entre os atores.

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